Rota dos Arigós

08/Mar/2022 - 11:28


Arigó = ave que migra. Uma referência a este pássaro corajoso e valente que cruza regiões do Brasil. Assim nasceu o bairro Arigolândia, uma referência e homenagem a esta ave migrante. Os conhecidos “arigôs” vieram para Rondônia escrever uma nova história em suas vidas e uma nova história para nossa Porto Velho. Ocuparam especialmente uma área próxima ao rio Madeira, araçazal, que concentrou as casas dos primeiros moradores do bairro. Os arigós, como eram chamados, vinham especialmente do Estado do Ceará fugindo da seca nordestina e em busca de melhores condições de vida. A denominação “Soldados da Borracha” foi-lhes conferida pelo modo de recrutamento e de sua chegada em Porto Velho, quando eram alojados em barracões e aguardavam serem selecionados para os seringais. A Rota dos Arigós tem início no rio Madeira, ponto de chegada dos Arigós e perpassa o bairro Arigolândia, encontrando prédios históricos como a primeira biblioteca do Estado, primeiro Batalhão da Polícia Militar (antiga guarda territorial), a Igreja de Nossa Senhora de Perpétuo Socorro e a famosa castanheira do Bairro. Estes elementos ajudam a contar a história deste povo e de uma das regiões mais pitorescas de nossa capital.

Da chegada dos Arigós a Porto Velho

Os nossos famosos Mirantes, têm vista privilegiada do rio Madeira, rio este que foi admirado pelos Arigós em sua chegada na capital. Habituados com a seca e a escassez da água, os nordestinos ficaram impressionados com o esplendoroso rio. O Porto Cai N’agua era o ponto de chegada dos Arigós.

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Mirante Porto do Sol Endereço: Rua Rui Barbosa
O Mirante Porto do Sol ou antigo Mirante 2 tem vista privilegiada do rio Madeira, rio este que foi admirado pelos Arigós em sua chegada na capital. Habituados com a seca e a escassez de água os nordestinos ficaram impressionados com o esplendoroso rio. O diferencial deste mirante é sua vista para a Estrada de Ferro e o Porto Caí N’água, ponto de chegada dos Arigós. O Mirante está localizado no início do bairro Arigolândia, além do Porto do Sol estão localizados no bairro o Mirante Madeira e Mirante Canoa Quebrada. Juntos estes três Mirantes são atrativos turísticos frequentados por turistas e moradores que buscam o local para apreciar a bela vista do rio.

Biblioteca Estadual Dr. José Pontes Pinto Endereço: Avenida Farquar nº 1.793
Saindo do Mirante Porto do Sol o próximo ponto de parada é a Biblioteca Dr. José Pontes Pinto. A biblioteca recebeu o seu nome em homenagem ao Dr. José Pontes Pinto, paraense e bacharel em Direito, cidadão de destaque e apreço na sociedade local e colaborador contumaz da biblioteca. A biblioteca Dr. José Pontes Pinto foi a primeira Biblioteca do Estado de Rondônia e única biblioteca estadual até a presente data. Construída em 1975, foi por muito tempo a única biblioteca da cidade. Frequentada por moradores do de toda a cidade, em especial os do bairro Arigolândia.

Escola Estadual Carmela Dutra Endereço: Avenida Farquar, 1913
Em 1950, Araújo Lima, 4º governador do Território iniciou a construção do prédio da Escola Normal Carmela Dutra. A Escola funcionou anteriormente em outro prédio, teve como primeira Diretora Marise Castiel e importantes personalidades da nossa história como professores, tais como: Marise Magalhães Costa Castiel, Ari Tupinambá Pena Pinheiro, Fouad Darwich Zacarias e o próprio José Otino de Freitas. A escola uma das mais antigas da capital veio atender a demanda de educação de ensino primário e ginasial, atendia os moradores da capital e em especial os pericurtas e os cutubas, filhos e netos dos residentes dos bairros Arigolândia e Caiari. De acordo com historiadores o formato de barco do prédio é uma homenagem do Arquiteto José Otino aos barcos do Rio Madeira. O engenheiro também foi responsável pela construção do Palácio Presidente Vargas (primeira sede do governo), Prédio da UNIR Centro (antigo hotel Porto Velho) e Cine Resky.

1º Batalhão da Polícia Militar – Antiga guarda territorial Endereço: Rua Major Amarante, 571
No local onde funciona atualmente o Primeiro Batalhão da Polícia Militar foi instalado o Centro de recepção dos nordestinos migrantes. Foram construídos na época dois barracões em que os recém-chegados descansavam para seguir viagem rumo aos seringais do Madeira e Vale do Guaporé. Alguns foram selecionados para trabalhar na guarda territorial que abria estradas, obras e faziam policiamento na cidade. Posteriormente a guarda territorial transformou-se na Polícia Militar de Rondônia que passou a existir em 02 de julho de 1976, com uma estrutura provisória, esperando sua regulamentação. Ao redor do batalhão foram sendo construídas casas, comércios e edificações que ajudaram a formar o bairro Arigolândia.

Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro Endereço Rua Major Amarante nº 809
Inaugurada em 1.963 a Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro foi construída de frente para o rio. O objetivo era acolher os ribeirinhos que chegavam para as celebrações, também reuniam os moradores do bairro Arigolândia que traziam consigo dos sertões a fé católica. A construção do edifício é obra do Pe. Humberto Filippelli, então pároco da Catedral. A igreja teve como inspiração as linhas arquitetônicas da Catedral de São Marcos de Veneza. A fachada da Paróquia foi pintada pelo renomado artista Afonso Ligório. A proposta inicial do Pe. Humberto Filipelli era fazer três estátuas de anjos, sendo a Fé, a Esperança e a Caridade, porém o preço do material era muito alto e o Padre ficou somente com o anjo da Esperança. O anjo que está em frente da Igreja da Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é o anjo Esperança. Anos atrás a entrada da igreja foi alterada para a Rua Major Amarante a contragosto de alguns moradores. A entrada original permanece fechada visitada diariamente por moradores e turistas que apreciam a bela vista do rio.


A Castanheira do Estádio Endereço: Rua Rui Barbosa s/n
Segundo a historiadora Yeda Borzacov, um dos primeiros relatos sobre a castanheira é de 1945, quando o guarda territorial Inácio José de Lira chegou a Porto Velho e a árvore já possuía cerca de cinco metros de altura. No ano de 1950 foi delimitado o local para construção do Estádio Aluízio Ferreira, de forma muito perspicaz a árvore ainda muito pequena foi mantida pela guarda territorial que foi a responsável pela construção do Estádio. Existem relatos de tentativa de derrubada sendo estas impedidas por moradores do bairro. Passados 50 anos a árvore cresceu com o bairro Arigolândia sendo amada e defendida pelos moradores. É um símbolo da cidade de Porto Velho sendo decretado o tombamento da Castanheira centenária como é conhecida no Decreto n °3179, de 10/02/1987. Em baixo da frondosa sombra da árvore nasceram importantes manifestações culturais de Porto Velho: o bloco de samba Unidos da Castanheira que posteriormente se transformou na Escola de samba “Unidos da Castanheira”, campeã do carnaval portovelhense 3 vezes. A castanheira até hoje é ponto de encontro semanal dos moradores do bairro e representa a labuta e o trabalho dos pioneiros soldados da borracha que vieram habitar Porto Velho.


Outras visitas no bairro

Os mirantes do bairro (Canoa Quebrada e Madeira) são uma opção para uma parada. Afinal, após um passeio com muita história e cultura nada melhor que encerrar a tarde com chave de ouro. Outro ponto maravilhoso que oferece uma linda vista do rio é o restaurante Cuzco (antigo Caravelas do Madeira). A rota também pode ser feita no período da manhã podendo ser encerradas com um belo café-da-manhã nas padarias do bairro, comprando um cuscuz da Dona Erenilce ou com um refrigerante gelado no mercadinho do Sr. Gilberto.

Sugestões de parada
1. Muro da Eletronorte (obra do artista plástico Pedro Furtado).
2. Primeira Assembléia Legislativa do Estado.
3. Restaurante Celeiro (culinária mineira).

Colaboradores para formação da rota
1. Professor Marcos Teixeira.
2. Professor Aleks Palitot.
3. Professor Lourismar Barroso.
3. Amigos do Arigolândia (em especial: Giliard Vargas, Manoel Barbosa Campos, Cecileide Correia Silva e Marcos Braúna).
4. Professora Nazaré.

Bibliografias
1. 100 ANOS DE HISTÓRIA. Yeda Borzacov (2010).
2. ARIGÓS EM PORTO VELHO: A CONSTRUÇÃO DA ORDEM E DA ESTRATIFICAÇÃO SOCIAL A PARTIR DA VIOLÊNCIA INSTITUCIONALIZADA PELO ESTADO. Marco Antônio Domingues Teixeira.
3. ENTRE CATEGAS E MUNDIÇAS: TERRITÓRIOS E TERRITORIALIDADES DA MORTE NA CIDADE DE PORTO VELHO. Mara Genecy Centeno Nogueira (2015).

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